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Bancos que atuam no financiamento de imóveis estão negociando com o Banco Central uma calibragem no novo modelo de crédito imobiliário — principalmente no limite de 12% ao ano para as operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Com a Selic em 14%, executivos do setor avaliam que sustentar esse teto ficou mais difícil do que o previsto quando a regra foi desenhada.

O que é esse novo modelo de crédito

Lançado em 2025, o modelo busca reduzir a dependência da poupança como fonte de recursos para o financiamento imobiliário e ampliar o papel de instrumentos do mercado de capitais, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIG). A ideia: um banco que capta R$ 1 milhão via mercado de capitais e destina esse valor ao crédito imobiliário pode usar a mesma quantia captada na poupança — mais barata — livremente em outras aplicações.

A contrapartida é que, quando o modelo estiver totalmente em vigor, 80% dos recursos captados dessa forma deverão ser direcionados a operações dentro do SFH, faixa que tem um teto de 12% ao ano sobre o indexador do contrato. A adoção é gradual, com vigência plena prevista para janeiro de 2027.

Por que o teto de 12% ficou apertado

Quando as regras foram desenhadas, em 2025, o mercado projetava cortes mais acelerados da Selic — o que não se confirmou. Com a taxa básica em 14%, o custo de captar via LCI e LIG passou a acompanhar de perto as condições do mercado, diferente da poupança, que tem rendimento mais estável.

"A diversificação do funding trouxe resiliência, mas também transmitiu mais rapidamente o custo da captação ao financiamento", avaliou Michel Cury, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

Some-se a isso um problema adicional: a poupança tem registrado mais saques do que depósitos. De janeiro a abril, saíram R$ 31,5 bilhões a mais do que entrou nas contas que abastecem o crédito imobiliário — resultado até melhor que o mesmo período de 2025, mas que ainda pressiona o funding do setor.

O que os bancos estão pedindo ao Banco Central

Segundo apurado pelo Valor Econômico, as instituições devem formalizar em breve dois pedidos:

O Banco Central pediu um prazo de dois meses para avaliar os pedidos. Gilneu Vivan, diretor de Regulação do BC, reconheceu publicamente o desafio da exigência de alocar 80% dos recursos no SFH e afirmou que o modelo segue em reavaliação durante a fase de testes. Também está em discussão qual indexador usar nos contratos — TR ou IPCA são as opções sobre a mesa.

O que isso significa para quem vai financiar

Nada muda de forma imediata — o novo modelo ainda está em fase de transição, e a discussão sobre o teto de 12% é sobre as regras que vigorarão plenamente a partir de 2027. Mas já é possível sentir o reflexo hoje, principalmente em imóveis acima de R$ 600 mil (faixa do SBPE):

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