Durante o Abecip Summit 2026, o Ministro das Cidades, Vladimir Lima, defendeu que o crédito imobiliário brasileiro precisa ir muito além do Minha Casa, Minha Vida para atingir seu potencial. Provocado pelo presidente da Abecip, Michel Cury, sobre a possibilidade do setor chegar a 20% do PIB, o ministro foi direto: "Temos tudo para avançar para além de 20%."
De 10% para 11% do PIB — e ainda "abaixo do mundo"
O crédito imobiliário brasileiro vem de uma trajetória de crescimento: era de apenas 2% do PIB antes do Minha Casa, Minha Vida e hoje já representa 11%. Ainda assim, segundo o ministro, o patamar brasileiro segue abaixo da média de mercados como Estados Unidos, Reino Unido e China.
"Representar 20% do PIB é o mínimo daqui para frente", afirmou Lima durante o evento.
Por que o MCMV não pode ser o único motor
Para Vladimir Lima, o programa habitacional segue essencial — só a Faixa 4 (famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil) já beneficiou 58 mil famílias e movimentou mais de R$ 18 bilhões em crédito facilitado. Mas o ministro foi claro: o setor não pode depender de um único programa para crescer.
- Modernização tecnológica do processo de crédito e concessão
- Aperfeiçoamento das políticas públicas habitacionais, além do MCMV
- Maior integração entre governo e setor privado para ampliar o financiamento
- Uma política estruturante de habitação para todo o país, não pontual
O tamanho do orçamento por trás da meta
O orçamento do FGTS destinado à habitação saltou de R$ 90 bilhões em 2023 para R$ 195 bilhões em 2026 — o maior já destinado ao programa, somando recursos do Fundo Social do Pré-Sal e do Orçamento Geral da União. Com esse reforço, o governo já superou a meta inicial de 2 milhões de moradias contratadas com um ano e meio de antecedência, e agora mira 3 milhões de unidades até o fim de 2026.
O que isso sinaliza para quem financia hoje
A fala do ministro é uma sinalização de política, não uma mudança de regra imediata — mas ajuda a entender o cenário: o governo está tratando o crédito imobiliário como prioridade estrutural, com orçamento recorde e discurso de expansão além dos programas sociais tradicionais. Isso tende a significar mais opções e mais concorrência entre fontes de financiamento nos próximos anos, o que é bom para quem está comprando ou pretende comprar um imóvel.
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