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O comprador brasileiro está entrando na operação com muito mais capital próprio do que se costuma imaginar. Segundo levantamento da Trillia, unidade de dados e analytics da B3, o financiamento cobriu em média 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do valor das casas adquiridas no primeiro semestre de 2026. O restante saiu do bolso do comprador.

Daniel Takatohi, superintendente de Produtos da Trillia, resumiu o dado: a entrada média ficou "superior a 35% do valor" do imóvel.

O volume cresceu, e quem puxou foram as casas

Foram 507.299 imóveis residenciais financiados entre janeiro e junho, contra 475.748 no mesmo período de 2025 — alta de 6,6%. O crescimento, porém, não foi homogêneo:

A leitura da Fast Home é de deslocamento de demanda, não de aquecimento generalizado. Apartamento praticamente estagnou; casa cresceu quase 12%. Em um ambiente de juros altos, o comprador tende a buscar o metro quadrado mais barato — o que empurra a demanda para regiões periféricas e para tipologias de casa, onde o mesmo valor de crédito compra mais área.

SFH continua sendo a espinha dorsal

Por modalidade, o Sistema Financeiro da Habitação respondeu por 58% dos contratos de apartamentos e 63,4% dos de casas. O Sistema de Financiamento Imobiliário ficou com 40% e 32,9%, respectivamente. O home equity apareceu em 2,9% das operações com apartamentos e 3,8% com casas.

A diferença entre as linhas não é burocrática — ela define teto de valor do imóvel, uso de FGTS, taxa aplicável e critérios de enquadramento. Escolher a linha errada na largada é um dos erros mais caros e mais silenciosos do processo, porque o comprador só descobre o custo real quando compara o CET no final.

A média de 65% não é o teto do banco

Este é o ponto que exige mais atenção na leitura do levantamento.

O número de 64,8% não representa quanto os bancos aceitam financiar. Representa quanto os compradores efetivamente financiaram — resultado de dois fatores combinados: a capacidade de pagamento aprovada na análise de crédito e a decisão do próprio comprador de reduzir o valor financiado para aliviar a parcela.

Ou seja: é uma média de comportamento, não um limite regulatório. Os percentuais máximos de financiamento variam conforme banco, linha de crédito, tipo de imóvel e perfil do proponente — e é exatamente aí que a estruturação da operação faz diferença. Dois compradores com a mesma renda e o mesmo imóvel podem receber propostas bem distintas dependendo de como a operação é montada e de qual instituição a analisa.

São Paulo concentra um terço do mercado

O estado de São Paulo respondeu por 34,7% de todos os financiamentos residenciais do semestre, com 28,4% das operações de apartamentos e 39,6% das de casas. A concentração reforça o peso do Sudeste na formação dos números nacionais — e explica por que médias nacionais precisam ser lidas com cuidado quando aplicadas a outros mercados regionais.

O que fazer com esse dado

Se a entrada média está acima de 35%, o planejamento de capital próprio deixou de ser detalhe e virou o eixo central da operação. Três frentes merecem atenção antes de assinar qualquer proposta:

A Fast Home analisa esses três pontos antes de encaminhar qualquer operação. A simulação comparativa entre os bancos parceiros mostra, no mesmo documento, quanto cada instituição está disposta a financiar no seu caso concreto e qual o custo efetivo de cada alternativa — que é a informação que realmente decide, e não a média do mercado.

Se você está estruturando uma compra agora, o momento de fazer essa análise é antes da proposta, não depois.

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